Apesar de a expectativa ser de ligeira retração nas exportações do agronegócio neste ano, em função da crise financeira internacional, o desempenho do setor continua sendo fundamental para garantir o superávit na balança comercial brasileira.
Amaryllis Romano, analista da Tendências Consultoria, estima que o superávit da balança do agronegócio deverá ficar em US$ 50,52 bilhões em 2009 ante US$ 51,14 bilhões verificados em 2008. Diferente da contabilidade oficial feita pelo governo, a Tendências inclui na balança agrícola os gastos com importações de insumos e fertilizantes. “Por isso nossos números são menores que os do governo, que cravou para 2008 um superávit de US$ 59,98 bilhões. Ao descontarmos o efeito das importações dos insumos, temos em mãos um número mais conservador, porém mais perto da realidade”, disse.
Este resultado garantiu o saldo positivo de US$ 24,7 bilhões na balança comercial brasileira, já que os demais setores tiveram déficit de US$ 35,2 bilhões.
Mesmo com a queda esperada na receita com exportações agrícolas em 2009, a Tendências prevê que a importância do agronegócio na balança comercial total será maior que em anos anteriores.
Neste ano, o agronegócio vai aumentar sua participação no saldo total da balança brasileira. Amaryllis prevê que a participação do superávit agrícola na balança geral crescerá 11,65% em 2009. No geral, a expectativa da consultoria é de que o superávit da balança comercial brasileira recue de US$ 24,7 bilhões para US$ 20,5 bilhões.
FONTE: Portal do Agronegócio
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Agronegócio terá maior importância na balança em 2009
Fórum da agricultura mede impacto da crise
Reunidos nos Estados Unidos, especialistas traçam o futuro da produção de alimentos e de biocombustíveis num cenário em que a América do Sul ganha influência
Enquanto a América do Sul junta os cacos do estrago provocado pela estiagem na produção de grãos, técnicos e analistas de instituições públicas e privadas se reúnem em Arlington (VA), nos Estados Unidos, para discutir e, até certo ponto, deliberar sobre o futuro do agronegócio no Brasil e no mundo. Entre os destaques do Agricultural Outlook Forum, está o censo da agricultura, balanço e previsões para os principais países produtores. Em foco, a transição rural nas Américas, processo que considera a expansão da produção no lado de baixo do continente americano. Brasil, Argentina e Paraguai já produzem mais de 100 milhões de toneladas de soja e configuram um novo e importante player para a formação de preço, bem como na relação de oferta e demanda mundial.
A destinação de grãos, principalmente o milho, para a produção de biocombustíveis, é outro tema da pauta. Os Estados Unidos utilizam mais de 90 milhões de toneladas de milho para produção de etanol. “A política energética americana mexe no quadro interno de oferta, assim como no comércio internacional dos países produtores do grão, como o Brasil”, diz Robson Mafioletti, analista da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). A Lei de Energia dos Estados Unidos, de 2007, prevê para 2022 a adição de 20% de etanol à gasolina no país. Cumprida a meta, serão necessários 36 bilhões de galões (cerca de 136 bilhões de litros) de etanol, sendo 15 bilhões à base de milho. A principal matriz, se não única neste momento, é o milho. A lei manda fracionar essa necessidade com outras fontes, como a celulose.
Quanto à expectativa para o encerramento do ciclo 2008/09 na América do Sul, os resultados de forma geral estão sendo positivos, destaca Marcos Matos, assessor técnico da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). “Mesmo com a estiagem afetando a safra na Argentina e em parte do Sul do Brasil e com as cotações internacionais menores, a produção brasileira de grãos será a segunda maior da história, superior a 135 milhões de toneladas, com rentabilidade positiva viabilizada pelo novo patamar da taxa de câmbio”, argumenta.
Pecuária
A retração na demanda mundial por carnes, com o arrefecimento do consumo devido à crise financeira mundial, terá capítulo à parte no Outlook. E, mais uma vez, o Brasil está inserido nas discussões, como o maior exportador de carne de boi e aves e o segundo de suínos, lembra Fabrício Monteiro, veterinário da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
Os produtores enfrentaram altos e baixos nos últimos dois anos. Muitos chegaram a eliminar matrizes, reduzindo o rebanho bovino. As exigências sanitárias são mais rigorosas desde o início do ano passado. O consumo em baixa fez a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne de Frango (Abef) recomendar a diminuição de 20% do número de aves alojadas. A Rússia, nosso principal mercado de carne suína, quer ser autossuficiente em aves e suínos dentro de cinco anos. “E tudo isso acontecendo junto com uma das piores crises econômicas da história, que muda da noite para o dia oferta e demanda, preço e rentabilidade”, frisa Monteiro.
FONTE: CAMINHOS DO CAMPO
domingo, 8 de fevereiro de 2009
O segredo da água de Nova York
Nova York é dura na queda. Estremeceu com o ataque às torres gêmeas em 2001, se corrói com problemas crônicos de lixo, desemprego, violência e intermináveis engarrafamentos de trânsito, foi varrida pelo vendaval financeiro de 2008, mas a cidade mantém de pé o seu charme, a sua fama. É o lugar mais procurado pelos turistas. São 40 milhões de visitantes por ano.
Entre os inúmeros encantos que fazem a fama de Nova York pouca gente sabe de uma das coisas mais preciosas que a cidade tem. É a excelente qualidade da água. Graças a uma bem bolada parceria com fazendeiros e proprietários de terra, Nova York ainda não tem estação de tratamento, só de filtragem. As pessoas bebem água pura da montanha e direto da torneira.
Pra ver de onde vem, onde brota essa água lendária, nós deixamos a cidade de Nova York rumo ao interior do estado. Saímos do nível do mar e subimos cerca de 200 quilômetros , como se fôssemos para o Canadá. No meio do caminho, a 1,2 mil metros de altitude, ficam as montanhas de Catskill.
As montanhas de Catskill não estão entre as mais conhecidas dos Estados Unidos como as dos Apalaches, montanhas rochosas, mas ali fica uma cidade fundada há mais de 200 anos, uma cidade pequena e que ficou famosa no mundo inteiro em 1969 pelo que aconteceu ali.
Na música, no comportamento dos jovens representou uma revolução, o festival de Woodstock. Foi o auge do movimento hippie. Mais de 400 mil jovens se reuniram ali para
Quem se ofereceu para nos apresentar os fazendeiros parceiros da cidade de Nova York é o engenheiro florestal Tom O’Brien, diretor executivo da Wac, Watershed Agricultural Council.
“Prazer em conhecê-lo”, diz ele.
“O prazer é meu”, diz o repórter.
“Sejam bem-vindos”, diz ele.
Ele é diretor executivo de uma coisa que não existe no Brasil. Não é uma ONG, organização não governamental, não é uma cooperativa, uma associação, é um conselho formado por proprietários rurais que já investiu mais de 100 milhões de dólares em benfeitorias nas fazendas de Catskill.
“São muitas as benfeitorias. São várias práticas de manejo. É um programa amplo que, ao mesmo tempo, preserva a água e melhora o desempenho da fazenda. Mas, venha comigo no meu carro pra você ver na prática o que estamos fazendo”, diz ele.
Nossa primeira visita é ao mister Steve Reed que tem 60 hectares , dois terços de mata. No pasto, agora, cria um gadinho de corte vende lenha, mas a renda com que conta mesmo vem de duas fontes: pela reserva florestal, todo ano recebe da prefeitura de Nova York, cerca R$ 10 mil.
“Ah! Sem esse dinheiro do programa, não sei o que faria para pagar meus impostos”, diz ele.
A outra fonte de renda vem do bosque para onde mister Steve Reed nos leva. É uma árvore nativa da região.
O nome da árvore é maple, mais conhecido entre nós como árvore do Canadá, com a folha de três pontas. Assim como da folha da seringueira se faz látex, desta árvore se faz o xarope mais consumido nos Estados Unidos. É uma árvore que dá açúcar.
O filho de Steve Reed, Scott, conta que fazem uns furos no tronco. Enfiam neles umas chupetas e, por gravidade ou bomba a vácuo, aspiram a seiva. Ela segue por uma fiação até as caldeiras. Fervida, como a garapa pra fazer melado de cana, a seiva se transforma no delicioso xarope de Maple, aquele melzinho que em filme a gente vê o americano pondo nas panquecas do café da manhã.
“Esta árvore é o esteio da renda de muitas famílias nesta parte dos Estados Unidos e do Canadá. O programa de conservação paga engenheiros florestais para orientar o produtor a tirar mais proveito do bosque. Antes da assistência técnica, porém, resolvemos os problemas de poluição de água que existem na propriedade.”, diz Tom O’Brien.
A fazenda do mister Steve Reeds fica na cabeceira de um rio chamada de Dellaware que mais abaixo dá nome a um estado americano. Fica a 200 quilômetros da cidade de Nova York. Lá milhares de pessoas bebem do ribeirão que passa em frente da casa dele.
Para garantir a qualidade da água, a prefeitura de Nova York pagou pra ele um novo sistema de captação de esgoto e que custou o equivalente a R$ 50 mil, investimento que ele não poderia bancar sozinho.
“Nem em sonho eu conseguiria fazer o que construíram aqui. Essa tampa que você vê aí é de uma caixa de concreto subterrânea. É um pequeno tanque de captação tanto da água de pia e chuveiro como das privadas. Daqui, o esgoto é canalizado. A tubulação passa sobre o córrego. Vai para esta outra caixa maior. E de determinado ponto ela é bombeada para o alto do terreno.”, conta Steve Reeds.
Não se vê nada, pois está tudo enterrado, mas de um determinado ponto, o esgoto é alçado cem metros acima e, só então, é feito a descarga. Nessa distância, a sujeira é filtrada pelo solo de modo que estará limpa quando cair no lençol e chegar ao córrego.
“A minha antiga fossa fica na beira do córrego. Infiltrava de um jeito que não podia imaginar.”, diz Steve Reeds.
“Quantas sistemas de esgoto como este foram construídos nas fazendas daqui?”, pergunta o repórter.
“Muitos. Mais de 300.”, conta Tom O’Brien.
Nas montanhas de Catskill, a extração de nativas é uma tradição de mais de 300 anos. Quase toda propriedade faz manejo florestal.
Tom O´Brien nos levou a uma das maiores, que pertence Associação Cristã de Moços e tem 2,5 mil hectares.
Os recantos mais bonitos são abertos para o eco-turismo. No resto, é exploração de madeira.
No momento em que chegamos, está saindo uma carreta de toras para o Canadá. Até a ponte é emprestada pelo programa que a cidade de Nova York banca.
“A gente chama de ponte temporária. Temos de vários modelos e tamanhos. O contato das rodas e os resíduos de combustível contaminam a água. Nova York não quer isso. Então, fazemos o rodízio das pontes”, diz O’Brien.
Está impressionado com o apoio que as propriedades recebem? Tem mais. Para reduzir a poluição, as fazendas de leite ganharam até tanque para estocar estrume. Será que isso funciona só porque Nova York é uma cidade rica? Confira a próxima matéria.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Suinocultura
DESCULPAS
vENHO PEDIR DESCULPAS AOS AMIGOS E LEITORES, QUE, PROVAVELMENTE NÃO TEM MAIS FREQUENTADO O BLOG POR FALTA DE ATUALIZAÇÃO, PORÉM HOJE ESTOU ATUALIZANDO NOVAMENTE, E CREIO QUE SERA CONSTANTE AS ATUALIZAÇÕES.
OBRIGADO AOS AMIGOS .
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Leite tem futuro
Com sala cheia, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, falou hoje sobre o agronegócio na Feileite, feira de gado leiteiro que termina amanhã, sábado, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.
Rodrigues afirmou que nos últimos dez anos, as exportações de etanol subiram 270%, as de carne bovina 97% e as de suínos, 95%. O leite, que há quatro anos o Brasil não exportava, também cresceu na pauta externa e deve fechar 2008 com um faturamento de 500 milhões de dólares. "Prevaleceu a eficiência do nosso produtor. Sem Rodada Doha, sem OMC, conquistamos mercados desenvolvidos e emergentes", diz.
E foram nos países emergentes, segundo Rodrigues, que as exportações nacionais explodiram. "O mundo incorporou milhões de famílias à mesa e isso alavancou as vendas de alimentos." Só os produtos lácteos são embarcados para cerca de 200 países, sendo que o principal comprador é a Venezuela com 150 milhões de dólares.
O cenário para o agronegócio brasileiro, que era bastante promissor, está exigindo cautela diante do terremoto financeiro. Porém, Rodrigues observou que se o país fizer corretamente a lição de casa, ele deverá expandir ainda mais as exportações a partir de 2010.
"Estamos plantando uma safra mais cara e com menos crédito. Em consequência, existe o temor de o produtor usar insumos mais baratos e a produtividade cair."
Rodrigues afirma que o governo está fazendo a parte dele, ao liberar recursos. "Os bancos estão segurando dinheiro, mas o motivo é a incerteza diante do futuro."
Rodrigues defende uma política de preços mínimos e o alocamento de recursos por parte do orçamento. "Se essas medidas forem à prática, os bancos perdem o receio e uma grande safra pode sair da terra em 2009, consolidando-se em 2010, pois uma coisa é certa: ninguém vai deixar de comprar alimentos."
O ex-ministro revelou ainda que o rebanho leiteiro cresceu 29% nos últimos 14 anos e a produção foi incrementada em 149%. "O leite também se modernizou. O pecuarista foi atrás de genética boa, aprendeu a manejar o gado, e hoje o futuro do setor é promissor, mesmo com os baixos preços atuais do litro de leite pago ao fazendeiro."
O milho Bt chegou. E agora?
Do ponto de vista tecnológico, um alívio ao produtor rural, com a promessa de reduzir custos e facilitar o manejo da lavoura. Mas quando o assunto é mercado, consumo e segregação, ainda falta informação. No Paraná e no Brasil, o ciclo 2008/09 é o primeiro a incorporar, legalmente, o cereal geneticamente modificado (GM).
Como a liberação dos primeiros materiais ocorreu na metade do ano, não houve tempo hábil para multiplicação de sementes. Não existe uma estatística oficial, mas a área coberta deve atingir apenas cerca 4% da extensão cultivada com milho de verão no Brasil (9,5 milhões de hectares, segundo a Conab). O Bt contém o gene de uma bactéria, o Bacillus thuringiensis, que elimina os insetos e combate a lagarta-do-cartucho.
A Associação Paulista de Produtores de Sementes (APPS) calcula que existe material disponível para cultivar 400 mil hectares no país. Mas nem toda a semente colocada no mercado será utilizada, pois o produtor aproveitou as condições climáticas favoráveis e antecipou o plantio do milho. Com isso, parte da semente chegou quando as operações de plantio já haviam sido iniciadas.
Para a safrinha de milho, que começa a ser plantada no final de janeiro, o secretário-executivo da APPS Cássio Camargo acredita que será diferente, pelo menos em relação à oferta de sementes Bt, que deve ser ampliada significativamente. “O milho GM vai se expandir muito mais rapidamente que a soja. O interesse do produtor pelo cereal transgênico é muito grande e há híbridos adaptados para todas as regiões produtoras”, afirma o dirigente.
Enquanto isso, na base, a cadeia produtiva se divide nas orientações ao produtor rural sobre o plantio do milho GM. Entre os produtores entrevistados pela Expedição Safra nas últimas duas semanas, é quase unânime a avaliação de que o Bt terá grande expansão nos próximos cultivos. Mas ainda não há uma decisão com cálculos definitivos de área.
Na área da Coamo, com sede em Campo Mourão (Noroeste), o gerente de unidades Antônio Carlos Ostrowski estima que na safrinha a semente Bt deve estar presente em mais da metade de sua área de atuação. Na Batavo, em Carambeí (Campos Gerais), os cooperados foram avisados que a cooperativa não vai nem receber o milho Bt. A Agrária, em Guarapuava (Centro-Sul), referência nacional em produtividade do cereal – média de 10 mil quilos/hectare –, antecipa-se à polêmica e prepara a segregação do grão. Vai receber e permitir entre seus cooperados o cultivo de milho GM e convencional.
Ao produtor, restam várias dúvidas, que só devem ser esclarecidas à medida que a introdução da tecnologia for ocorrendo e o mercado se ajustando, seja do milho destinado à alimentação humana ou animal.
FONTE: Caminhos do Campo
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
MS tem mais R$ 140 mi para financiamentos em 2008
Nesta semana Mato Grosso do Sul terá dinheiro novo em caixa para financiamentos junto ao Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Conforme o Secretário de Desenvolvimento do Centro-Oeste, José Antônio Parente, os recursos do Fundo foram acrescidos em R$ 611 milhões, sendo R$ 140 milhões para serem aplicados nos próximos dois meses no Estado. O anunciou foi feito sexta-feira (31/10) durante a 48ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo do Fundo (Condel/FCO), em Campo Grande.
Com esse anúncio a proposição de maior dimensão do Estado em pauta – trata-se da alocação de recursos adicionais de custeio agropecuário para presente safra de verão – foi automaticamente aprovada pelo colegiado. O teto, que era de R$ 300 milhões, foi elevado para 450 milhões para região Centro-Oeste, segundo informa a Seprotur. Dessa forma cerca de R$ 40 milhões devem ser utilizados no custeio da safra agrícola já que o Banco do Brasil previa a contratação de R$ 460 milhões e com essa medida deverá ampliar o montante para R$ 500 milhões, recurso esse a ser acessado por médios e grandes produtores sul-mato-grossenses.
“O ano atípico deixou o Estado muito preocupado com o custeio agrícola, pois o crédito a nós direcionado foi insuficiente. O colegiado entendeu nossa justificativa tanto que aprovou a proposição estendendo seu benefício para os demais estados da região”, ressaltou a secretária Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias (Seprotur), que é representante do Estado no Condel.
Outra parte do montante destinado ao Estado, cerca de R$ 28 milhões, poderá ser acessado pelos setores de comércio e serviços. Outros R$ 92 milhões serão utilizados no atendimento de projetos de investimentos das áreas rural e empresarial, cujos processos se encontram em andamento no Banco do Brasil e mesmo no acolhimento de novas propostas, uma vez que há recursos nessas áreas ainda não utilizados. Cabe destacar que a distribuição desses recursos deve obedecer às diretrizes definidas pelo Condel de que 51% sejam destinados aos micro e pequenos empreendedores.
Outras duas proposições apresentadas pelo Estado – elevação do prazo de carência de 3 para 5 anos para projetos de financiamento de fruticultura e a criação de um grupo de trabalho para harmonizar critérios e procedimentos na viabilização de crédito para grandes projetos envolvendo, além dos recursos do FCO, financiamentos com outras fontes de recursos – foram retiradas de pauta para serem complementadas. As mesmas devem ser analisadas no próximo encontro do colegiado, previsto para o mês de dezembro.
BALANÇO BB
Mato Grosso do Sul foi o Estado que mais cresceu ‘qualitativamente’ (volume de projetos) nas contratações do FCO até o mês de setembro, com relação a igual período do ano passado. Segundo apresentação que antecedeu a análise e votação das proposições do dia, feita pela gerente de negócios do Banco do Brasil, Helen Cássia Nunes e Silva, enquanto a região Centro-Oeste cresceu 59% os estados tiveram o seguinte crescimento: 132% (Distrito Federal), 123 % (Mato Grosso do Sul), 39% (Mato Grosso) e 32% (Goiás). Nas contratações por segmento notou-se o avanço das agroindústrias com contratações no FCO Empresarial alcançando um crescimento de 90%. Já as contratações do FCO Rural avançaram em 37%. Por porte as contratações tiveram o seguinte desempenho: mini/micro/pequeno – 85% e médio/grande – 43%.
FONTE: SEPROTUR
Vacinação vai apontar aumento do rebanho
A segunda etapa do ano da campanha de vacinação contra a aftosa – que será lançada amanhã – vai mostrar qual o ânimo da pecuária paranaense com a exportação de carne para a União Européia (UE). Os criadores de bovinos e bubalinos terão de declarar a quantidade de animais vivos em suas propriedades e quantos foram vacinados. “O rebanho voltou a crescer nos últimos meses com a reabertura do mercado europeu”, afirma o diretor do Departamento de Fiscalização Agropecuária (Defis) do estado, Silmar Bürer. Em maio, quando a vacinação teria atingido 98,64% do rebanho, foram declarados 9.480.427 em 211.977 propriedades.
A segunda etapa do ano da campanha de vacinação contra a aftosa – que será lançada amanhã – vai mostrar qual o ânimo da pecuária paranaense com a exportação de carne para a União Européia (UE). Os criadores de bovinos e bubalinos terão de declarar a quantidade de animais vivos em suas propriedades e quantos foram vacinados. “O rebanho voltou a crescer nos últimos meses com a reabertura do mercado europeu”, afirma o diretor do Departamento de Fiscalização Agropecuária (Defis) do estado, Silmar Bürer. Em maio, quando a vacinação teria atingido 98,64% do rebanho, foram declarados 9.480.427 em 211.977 propriedades.
O lançamento oficial será em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). O secretário estadual da Agricultura, Valter Bianchini, vai acompanhar a aplicação de vacina na Fazenda Jacutinga. A região concentra 6,9% do rebanho bovino do estado. A campanha vai até dia 20. Os criadores terão de procurar os órgãos sanitários para comprovar a vacinação até 30 de novembro. A multa por animal não vacinado está em R$ 81,44.
O motor do programa não é a multa, mas o risco de perdas, afirma o diretor do Defis. “O produtor de carne bovina, seja pequeno, médio ou grande, sabe da importância da campanha. Não é pelo medo de ser multado, mas pelo prejuízo de uma não-vacinação.” Nas regiões de fronteira, os agentes do estado e das prefeituras deverão acompanhar a vacinação em áreas que cercam zonas urbanas. A intenção é garantir que animais isolados sejam imunizados.
Em regiões de pequenas propriedades, como o Oeste, que detém 7% do rebanho bovino do estado, uma rede de vacinadores é encarregada da tarefa. Integrantes das próprias comunidades receberam cursos e devem fazer mais de 90% da vacinação. São cerca de 600 vacinadores. Eles terão a missão de passar nas propriedades e vacinar cerca de 50 animais por dia até 20 de novembro.
A meta do governo do estado é vacinar 100% do rebanho. Os índices atingidos nas últimas campanhas – acima de 95% – são considerados seguros pelos órgãos de saúde animal. Os 100% dificilmente são atingidos porque os animais que irão para os abatedouros em 30 dias não precisam receber a vacina. As vacinas estão custando em média R$ 1,30 no Paraná, de acordo com levantamento da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab). O preço é cerca de 10% superior ao da última campanha realizada em maio.
FONTE: Caminhos do Campo
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Crescimento sustentável
No Pará, um encontro está discutindo que impacto ambiental a pavimentação da rodovia Santarém-Cuiabá pode causar à floresta amazônica. A BR-163 é caminho importante para o escoamento da safra agrícola brasileira.
Ao longo da Rodovia Santarém-Cuiabá, militares do Exército fazem a manutenção e asfaltamento da estrada.
Pontes estão sendo construídas e desvio são abertos para não impedir o tráfego. Onde não é possível abrir caminho alternativo, os veículos disputam espaço com as máquinas.
A corrida é contra o tempo para adiantar o serviço antes que as chuvas comecem. No inverno, a estrada fica intrafegável. Quem precisa dela para escoar a produção encontra dificuldades.
“Eu fico esperando e passo dois dias e três noites num lugar. Aqui é assim”, contou o caminhoneiro Paulo Evaristo.
O projeto de construção da Rodovia Santarém-Cuiabá teve início na década de 70, com uma extensão de 1.765 quilômetros.
O setor produtivo cobra a pavimentação total da rodovia para ajudar no escoamento da produção agrícola, da madeira e de outros produtos. Agora, o grande desafio é fazer com que esse desenvolvimento, através da integração regional, aconteça de forma sustentável.
Às margens da estrada é possível notar várias áreas desmatadas. Para buscar soluções para os problemas ambientais, o governo discute com a sociedade as metas do Plano BR-63 sustentável. É um programa que visa diminuir os impactos sociais e ambientais da pavimentação e implantar um modelo de desenvolvimento sustentável na região.
“Buscando o fortalecimento da agricultura familiar com financiamento, com assistência técnica e com a infra-estrutura rural. Temos que assegurar isso até porque faz parte do nosso projeto do modelo que nós defendemos para o Plano da BR-163 Sustentável”, esclareceu Manuel Sarmento, representante do Comitê Plano BR-163 Sustentável.
O encontro termina nesta sexta-feira.
FONTE: Globo Rural
Desmatamento ilegal na Amazônia cai 22% em setembro
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, atribuiu, entre outros pontos, ao maior rigor e à regularidade nas operações de fiscalização do Ibama, a queda de 22% no desmatamento ilegal na Amazônia divulgado quarta-feira (29/10) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os dados mostram que foram desmatados 587 Km2 no mês de setembro na Amazônia Legal, sendo que Mato Grosso (216,3 Km2), Pará (126,8 Km2) e Maranhão (97,2 km2) lideram a lista entre os nove estados avaliados. Em agosto, o Inpe registrou 756 Km2 de desmatamento ilegal na mesma região.
Também é de 22% a redução do desmatamento acumulado nos meses de junho, julho, agosto e setembro de 2008 em relação a 2007. O Inpe, nesse período, registrou 3.256 Km2 desmatados em 2007 e 2.539 km2 em 2008. "Foi a maior queda nesses últimos meses desde que há o cotrole do Inpe", afirmou Minc.
Comparando-se apenas os dados de agosto e setembro, em 2006 houve um aumento de 45,24%, em 2007 o desmatamento saltou para 162,17% e, em 2008, houve queda de 22,35%.
"É sempre melhor diminuir do que aumentar, mas 500 km2 de desmatamento em um só mês é inadmissível", disse o ministro, ao comentar os números em entrevista coletiva no Ministériodo Meio Ambiente.
Segundo Minc, apenas nos meses de agosto e setembro, foram realizadas 37 operações do Ibama na Amazônia que resultaram em mais de R$ 212 milhões em multas aplicadas, em 720 autos de infração, na apreensão de mais de 18 mil m3 de madeira e toras e no embargo de nove serrarias.
Ele afirmou ainda que o MMA e o Ibama vão intensificar as operações de fiscalização na região, mantendo o ritmo de uma operação a cada dez dias nas regiões mais críticas apontadas pelo Deter. "Nos próximos dias eu vou participar de três operações fortes em Rondônia, Mato Grosso e no Amazonas, mas o Ibama vai realizar várias outras sem a minha presença", adiantou o ministro.
Ainda com o objetivo de reforçar a repressão ao crime ambiental, na próxima semana Minc agendou reunião com Tarso Genro, ministro da Justiça, para negociar mais apoio às operações de fiscalização do Ibama com a instalação de outras seis barreiras rodoviárias em entroncamentos estratégicos dentro e fora da Amazônia. "Antes, a gente estava pegando só serrarias, mas agora nós estamos atuando também em desmatamento e entroncamentos e os resultados estão surgindo", informou o ministro.
Outra ação anunciada pelo ministro foi a interligação, até o final de novembro, dos Documentos de Origem Florestal (DOF) estaduais ao sistema do Ibama, para evitar o uso indevido dessas autorizações que permitem a movimentação de madeira de forma ilegal. "A gente vai fazer um trabalho de inteligência, um pente-fino nos planos de manejo estaduais", alertou Minc.
FONTE: MMA
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Excesso de chuva
A quarta-feira foi de muita chuva no Sul do país. Em Iraí, no norte do Rio Grande do Sul, o volume chegou aos 103 milímetros. Os temporais dos últimos dias têm causado muito prejuízo para os gaúchos.
Os 11 mil frangos do aviário em Ri Azul, no norte gaúcho, morreram afogados. Eles seriam entregues nesta quinta-feira para o frigorífico. A perda das aves na granja do produtor Nelson Presoto também foi significativa. Oito mil frangos morreram com a enxurrada.
“Não parava mais de vir água. Parecia que vinha dilúvio”, disse seu Nelson.
Na tarde da quarta-feira foram localizados os corpos dos dois agricultores que morreram afogados no município de Vale do Sol, na região central do Estado. O nível do Rio Taquari já baixou deixando visíveis os estragos nas lavouras de fumo. Plantações inteiras foram arrasadas bem na época da colheita e não há mais tempo para reiniciar o plantio.
“O senhor imagina quanto eu tenho de dinheiro colocado na terra e agora olha tudo só lodo, só barro e só lama? Não tem o que fazer”, lamentou o agricultor João Tadeu da Rosa.
O excesso de chuva também prejudica a produção de hortaliças. No município de Santa Cruz do Sul, no centro do Estado, o tempo nublado diminui o crescimento das plantas. A umidade em excesso ainda enfraqueceu folhas e raízes.
O prejuízo foi grande também para a produção de alface. O excesso de chuva fez as folhas apodrecerem. A única solução para os agricultores é fazer novamente o plantio, mas, para isso, o tempo também tem que colaborar.
No trigo a preocupação é com as lavouras que estão prontas para a colheita. Em algumas propriedades o cereal está rebrotando. É sinal de prejuízo com a perda de qualidade.
“Foi feito o tratamento de semente. Foi usado inseticida para as pragas. A minha parte foi feita, mas a natureza não se controla”, falou o agricultor Rivadal Polidoro Pinto.
FONTE: Globo Rural
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Armazéns no limite
A Coamo Agroindustrial, com sede em Campo Mourão (Noroeste), possui uma capacidade instalada própria para armazenar 3,66 milhões de toneladas de grãos. Com a aumento da produção e também da sua área de ação, nos últimos anos a cooperativa passou a buscar espaço em armazéns de terceiros, como da Conab.
Hoje, para acomodar a produção dos cooperados, ela precisa contratar, em média, 500 mil toneladas. Para o próximo ano, no entanto, a Coamo se prepara para alugar silos que comportem perto de 1 milhão de toneladas, extra capacidade. Ao contrário do que se possa imaginar, o motivo não está no tamanho da safra, que deve ser normal em volume de produção. A preocuação é com os estoques em alta e os preços em baixa, equação que trava o mercado e compromete a liquidez dos grãos.
E o aperto não é exclusividade da cooperativa. Os números revelam que o volume estocado é 25% superior à média histórica para está época do ano no Paraná. Somando o que restou do ciclo de verão, com o excelente resultado do trigo e do milho safrinha, estima-se que 10 das 24,64 milhões de toneladas da capacidade do estado estejam ocupadas – nesta época a ocupação sempre girou de 7 e 8 milhões de toneladas.
O Paraná responde por 20% da capacidade de armazenamento do país. A explicação para aparecer no topo do ranking está no cooperativismo. As cooperativas do estado detém 54% das 24,64 milhões de toneladas disponíveis. Essa estrutura poderia ser ainda maior, não fosse a crise econômica, que obrigou a revisão dos investimentos. O sistema havia programa aplicar neste ano R$ 355 milhões na ampliação e modernização dos silos. Até agosto foram realizados 60% dessa verba. O restante dos recursos foi suspenso até segunda ordem, explica Fávlio Turra, gerente técnico econômico da Organização das Cooperativas (Ocepar).
FONTE: Caminhos do Campo
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Câmara Setorial da Soja se instala em plena crise: Cultura poderá ser a mais afetada pela restrição de crédito
Estas serão as prioridades da Câmara Setorial da Soja, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que será instalada nesta quarta-feira (29/10), às 14 horas, pelo ministro Reinhold Stephanes, na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília. Para o futuro presidente da Câmara, Rui Carlos Ottoni Prado, que também preside a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso (FAMATO) e a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), a cultura da soja poderá ser uma das mais prejudicadas pela crise financeira internacional, em razão da restrição de recursos para financiamento da lavoura e da dificuldade de acesso dos produtores rurais ao crédito oficial. “Este quadro preocupa, porque a produção é muito alavancada pelo crédito, principalmente das tradings”, afirma Rui Prado.
Na avaliação do presidente, o fato das tradings estarem financiando menos dificultará a manutenção do atual volume de produção de soja. No caso de Mato Grosso, principal produtor do País, Rui Prado estima queda de pelo menos 10% na produção se o atual cenário de crise se prolongar, afetando o agronegócio. Na última safra (2007/2008), o Estado produziu 17,8 milhões de toneladas do grão e a estimativa para a safra 2008/2009 é de colher 17,5 milhões de toneladas. Ele ressalta, também, que a soja é o principal item da pauta de exportações do agronegócio. De janeiro a setembro deste ano, as vendas externas do complexo soja (grão, farelo e óleo) totalizaram US$ 15,3 bilhões, com elevação de 71% em relação ao mesmo período de 2007.
O presidente da Câmara Setorial da Soja informa, ainda, que o setor solicitará ao Governo mecanismos que assegurem ao produtor preços compatíveis aos custos de produção. “Hoje há um preço mínimo para a soja, mas não cobre estes custos”, afirma. Para ele, neste momento de crise, seria fundamental adotar um preço pelo menos compatível aos custos. “Não adianta o país produzir e o agricultor não ter condições de sobrevivência”, diz Prado, informando que o tema está na pauta de discussões da primeira reunião da Câmara, na quarta-feira, das 15h às 18h, na seda da CNA.
A instalação da nova Câmara Setorial ocorre em plena crise financeira internacional, abrindo espaço de discussão sobre as melhores soluções para a soja aos representantes do setor. “Antes, as discussões ficavam no âmbito da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel e as demandas do setor da soja não eram totalmente atendidas. Agora, teremos vários representantes e cada um dará sua contribuição para que a cadeia seja sustentável” justifica o presidente. A Câmara Setorial será composta por 23 entidades.
Produção de crisântemos
Agricultores que plantam crisântemo da região de Mogi das Cruzes, em São Paulo, estão prontos para abastecer o mercado no Dia de Finados. Boa parte da produção vai para o Sul do país.
A capacidade das estufas do floricultor Edson Tikayuki está esgotada. Os vasos de crisântemo, flor mais procurada no Dia de Finados, ocupam cinco mil metros quadrados do sítio em Mogi das Cruzes, no Estado de São Paulo. Só desta propriedade sairão 60 mil vasos da flor em várias cores, como vermelha, rosa e branca. A área de quatro mil metros quadrados foi reservada apenas para a flor mais vendida na cor creme.
O trabalho é intenso para garantir as entregas. “A previsão é de chuva, o que complica, mas faz o dia-a-dia da gente”, falou seu Tikayuki.
O crisântemo em vaso é o que faz mais sucesso no mercado. A procura aumenta mais de 300% nesse período em relação aos outros meses do ano. Mas mesmo os produtores que investem em diferentes formas de cultivo da flor têm boa expectativa para este feriado.
As vendas do crisântemo de corte aumentam cerca de 25% na época de finados. A produção de mudas começa no mês de julho para que até o dia dois de novembro os canteiros estejam completamente floridos.
O crisântemo tradicional, na cor branca, já está no ponto de colheita. Até o final de outubro outras variedades da mesma planta devem terminar de florescer em outro sítio também em Mogi das Cruzes. O crisântemo olho de gato e o conhecido como margarida fazem sucesso entre os clientes do agricultor Renato Hagio. Como a qualidade do crisântemo é boa nesta safra, a expectativa é vender pelo menos três mil maços da flor para este Dia de Finados.
“A expectativa é que a gente tente encaixar toda a produção”, falou seu Renato.
No caso do crisântemo de corte, a caixa com 1,4 quilo da flor é vendida por R$ 8,00, mesmo valor do ano passado.
FONTE: Globo Rural
desculpas
Caros leitores, desculpem-me por não ter atualizado nos ultimos dias. Minha internet estava fora do ar e portanto não pude acessar o BlOG.Uma boa semana a todos.
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sábado, 25 de outubro de 2008
O império da produção e da informação
Eles são os maiores produtores de grãos. Somente de milho colhem o equivalente a mais de duas safras brasileiras. Para este ano, a projeção é de 310 milhões de toneladas do cereal. Isso porque eles fazem apenas uma safra por ano, devido ao inverno rigoroso no Hemisfério Norte. No Brasil, onde o clima permite a realização de dois cultivos, o volume total de produção no último ciclo foi de 143,8 milhões de toneladas, somando todas as culturas (soja, milho, trigo, feijão e outras).
Mas o que impressiona nos Estados Unidos não é a liderança desse ranking e sim a capacidade de trabalhar os números, monitorar as lavouras em todo o planeta e usar a informação para influenciar o mercado, que de certa forma também tem relação direta com o país, através da Bolsa de Chicago. Os relatórios sobre a safra norte-americana, divulgados mensalmente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), têm poder para fazer com que as cotações desabem ou então vão à lua, num reflexo em cadeia, capaz de mudar, num único dia, a relação de oferta e demanda mundial.
A safra atual, em ritmo de colheita, expõe claramente essa supremacia americana. Por outro lado, também revela que os números gerados em Washington, sede do USDA, não são unanimidade e podem ser colocados em dúvida. E os questionamentos não vêm apenas de outros países, como o Brasil, mas surgem dentro de casa, com o próprio americano.
O relatório deste mês, por exemplo, que traz uma estimativa de produção superior à estimada no mês passado, deixa o produtor desconfiado, a considerar os vários problemas climáticos enfretandos pelos americanos, do plantio ao desenvolvimento das lavouras.
No final de setembro e início de outubro, a equipe da Expedição Safra 2008/09, Rede Paranaense de Comunicaçnao (leia matéria na página 2) percorreu parte da região produtora de grãos dos EUA, o chamado corn belt, para conferir de perto a situação. Depois de visitar propriedades rurais, consultores e operadores de mercado, além de um encontro com técnicos e analistas do USDA, a conclusão sobre a desempenho real do atual ciclo é de total indefinição. Num tour pelos estados de Illinois, Iowa e Missouri, mais Washington DC, a equipe da Expedição Safra encontrou muita disparidade. Existem áreas com registros de produtividade abaixo e acima da verificada no ano passado e outras dentro da média histórica. A considerar os inúmeros problemas, o sentimento é de otimismo, mas num cenário onde ainda predominam as incertezas em relação à produção.
As inundações que prejudicaram a semeadura e forçaram o replantio, a primavera úmida que atrasou o desenvolvimento da soja e a estiagem de agosto, assim como as chuvas no início da colheita não permitem que os produtores arrisquem qualquer projeção para o resultado final da colheita, que já avança para mais de 50% da área de milho e 30% na soja. As dúvidas dos produtores, no entanto, nem sempre refletem a posição otimista do Departamento de Agricultura . Pelo último relatório, divulgado dia 10 de outubro, o órgão do governo estima que, ainda assim, com todas essas adversidades, os Estados Unidos terão a segunda maior safra da história no milho e quarta na soja.
O USDA admite um rendimento 5,3% menor que no passado na soja e projeta uma variação positiva de 1,9% no milho. Mas para compensar o recuo na produtividade da oleaginosa, no jogo dos números o órgão amplia consideravelmente a área de cultivo, que saltou de 25,95 milhões de hectares no ano passado, para 30,6 milhões. E o mais incrível: somente no intervalo entre o relatório de setembro e outubro esse número cresceu em 1 milhão de hectares. Se os dados realmente se confirmarem, temos aí uma outra particularidade dos EUA: a capacidade recuperação das lavouras em situações adversas, principalmente aquelas relacionadas ao clima.
Tem produtor americano se perguntando onde o USDA encontra esses números. É o caso de John Jensen, que produz soja e milho em Annkony, estado de Iowa. Para ele, este é o pior ano em termos de clima. O reflexo é uma quebra média de 15% na produtividade em relação ao ano passado. Ainda assim, ele está colhendo perto de 10 mil quilos de milho e 3 mil de soja por hectare. Apesar de ter o rendimento prejudicado, Jensen mantém seu desempenho na média de Iowa, o estado com que concentra a maior produção dos EUA. Isso porque é um produtor que adota alta tecnologia e está no clube das maiores produtividades do país.
Mas existem aqueles produtores alinhados com o USDA. É o caso de Glenn Rovey, de Illinois, que se diz satisfeito com os resultados da safra. A soja está rendendo entre 3 mil e 3,4 mil quilos por hectare, produtividade em linha com a média. No milho, as primeiras lavouras colhidas têm rendimento médio de 11 mil quilos por hectare. “Nos melhores talhões chegou a 12,6 mil quilos”, comemora. Dos 283 hectares que cultiva no município de Farmersville, a 360 quilômetros de Chicago, Rovey dedica 70% ao milho.
Diante das realidades distintas, uma projeção mais concreta deve vir em alguns dias, quando a colheita entra na reta final, ou então no próximo relatório do USDA, que deve ser conhecido em 7 de novembro.
FONTE: Caminhos do Campo
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
BioFach

São Paulo sedia a BioFach, maior feira de agricultura orgânica da América Latina. O Globo Rural foi conferir como os agricultores brasileiros estão aproveitando esse mercado.
O produtor José Carlos Gonçalves tem um hectare no município de Ibiúna, São Paulo. No sítio ele planta hortaliças e temperos. Tudo é orgânico. Ele conta que a atividade rende uma média de R$ 1,6 mil por mês. Ele explicou porque é vantajoso para o pequeno agricultor investir no orgânico.
“Além de depender de uma escala muito grande para a venda, na agricultura convencional tem de ter volume. Aí vai trabalhar com produtos químicos, cujos preços geralmente são muito caros. Já no orgânico a gente aproveita as sobras vegetais e os restos de animais. Com isso, a gente barateia os custos de produção”, explicou seu José Carlos.
O seu José é um dos 16 agricultores que fazem parte da Associação de Pequenos Produtores Orgânicos de Ibiúna. A associação conta com a ajuda de uma certificadora francesa que faz as auditorias e concede o selo de produto orgânico aos produtores.
O presidente da associação, Geraldo Magela, disse que a entidade entrega hoje R$ 100 mil por mês em produtos orgânicos e o mercado vem crescendo. “Nós somos pequenos ainda, mas estamos crescendo rápido. Nos últimos seis meses nós dobramos o faturamento”, contou.
Os alimentos produzidos pela associação em Ibiúna ganharam nesta semana uma enorme vitrine. Eles estão expostos em São Paulo na BioFach, maior feira de produtos orgânicos da América Latina. Tem de tudo um pouco: mel, conservas orgânicas e artesanato orgânico, como um tapete feito com taboa e um vaso feito com resíduo de milho.
O evento reúne mais de 300 expositores e 15 países. Segundo a Fipe, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, é um setor que só no Brasil movimenta US$ 250 milhões por ano. Quem vem de fora busca qualidade e oportunidades de bons negócios, como o japonês que feio com a missão de comprar carne orgânica e o alemão que espera exportar frutas sem agrotóxicos para a Europa.
No cenário que mais se parece com um enorme hipermercado de produtos naturais já há quem comemore negócios com o exterior, como a cooperativa que vende doce de umbu.
“O doce está sendo muito vendido no Brasil e é um produto já de exportação. Nós temos hoje já a comercialização desse produto na França, na Áustria e na Alemanha”, disse Miroval Marques, assessor da cooperativa.
A BioFach termina no sábado.
FONTE: Globo Rural
CRISE NA EXPORTAÇÃO DE CARNE
A crise atinge exportação de carne e o crédito para o plantio da soja, mas é oportunidade para produtores de arroz gaúchos.
A carne bovina brasileira se acumula nos terminais frigoríficos do Porto de Santos, em São Paulo. A Rússia, nosso maior comprador, deixou de fazer negócios.
A Rússia responde por quase 40% das exportações brasileiras de carne bovina. O que se vê hoje é uma forte diminuição no movimento.
A equipe de reportagem do Globo Rural não foi autorizada a fazer imagens da parte interna dos terminais e nenhuma empresa quis gravar entrevista, mas a informação é que na primeira quinzena de outubro os embarques para os portos russos foram reduzidos para apenas um terço do que era há um mês.
A principal razão é a falta de garantias para o exportador. Os bancos russos estão com dificuldade de emitir as chamadas cartas de crédito. Sem isso, os frigoríficos estão suspendendo as remessas para a Rússia. Os containeres estão ficando nos pátios esperando que as empresas encontrem outros compradores no exterior.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, em outubro, a média diária das exportações de todas as carnes é 27% menor que a registrada em setembro.
Crise atinge crédito para o plantio da soja
A crise financeira internacional também causa problemas no sul do Maranhão. Falta crédito para o plantio da soja.
Os produtores foram surpreendidos bem na hora do plantio. As multinacionais americanas, que financiam a maior parte das lavouras no cerrado maranhense, este ano restringiram o crédito.
Após perambular por cinco empresas em busca de financiamento, o agricultor Valdir Daniele tomou uma decisão radical. “Eu vou ter que deixar de plantar este ano. Deixar para o próximo para ver se dá. Este ano, vai ser difícil”, disse.
A redução no plantio de soja no cerrado maranhense deve passar de cem mil hectares porque 80% dos produtores dependem de crédito externo. A maioria ainda não conseguiu financiamento para iniciar as lavouras.
A área de plantio na região é de 420 mil hectares, segundo previsões da Conab, Companhia Nacional de Abastecimento. A falta de recursos deixa máquinas paradas no campo. Por enquanto, só há movimentação nas lavouras de quem conseguiu plantar adubo antes da crise e vai usar recursos próprios.
“Eu vou plantar um pouquinho menos e vou colocar mais químico para poder ter uma produtividade melhor. Nós temos que pensar em produtividade”, disse o agricultor Elinton Tomazzo.
A palavra do ministro
Em Brasília, o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes afirmou que a maioria dos produtores tem conseguido crédito para a safra.
“As indicações que temos é que cerca de 80% dos nossos agricultores estão em condições de plantio e com crédito. Ainda temos algumas questões residuais. Existem regiões, mas isso está sendo administrado praticamente no dia-a-dia”, falou Stephanes.
O ministro disse ainda que o governo estuda a possibilidade de anunciar novas medidas de ajuda aos agricultores.
Apesar da crise, otimismo entre produtores de arroz gaúchos
Mas se a crise internacional é ruim para uns, para outros é sinônimo de oportunidade. No Rio grande do sul, quem cultiva arroz está otimista. Na quinta-feira foi realizada a festa de abertura do plantio da safra.
A abertura oficial foi no município de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre. “Nós temos a expectativa de produtividade média de 7,2 mil a 7,3 mil quilos por hectare para a próxima safra se as condições climáticas foram favoráveis, como foram nos outros anos”, disse Maurício Fisher, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz.
O agricultor Carlo Simonetti iniciou o plantio do arroz em setembro. Por isso, já está com quase toda a lavoura cultivada. Mesma com a interrupção da semeadura em função da chuva, ele não deve ter atrasos para concluir a lavoura.
“Essa chuva, se para um lado está prejudicando o plantio, por outro está recuperando o nível de barragens que estavam com nível baixo”, disse Simonetti.
Em todo o Estado, cerca de 40% da área já foi cultivada. A previsão é que sejam plantados 1,082 milhão de hectares, com incremento de 2% em relação a 2007. A fronteira oeste é a região do Estado mais adiantada no plantio. Dos 308 mil hectares, cento e sessenta e nove mil já foram semeados.
A nova safra é vista com otimismo pelo setor. “Os preços hoje de mercado estão praticamente equilibrados com o custo de produção. Nós tivemos um incremento de custo de produção. E a crise econômica valorizou o dólar em frente ao real, o que provocou uma dificuldade nas importações do Mercosul. Por essa conjuntura, estão dificultadas as importações. Inclusive nesse momento as exportações superam as importações, o que é um fato positivo e importante. O dólar mais elevado beneficia as exportações”, concluiu Renato Rocha, presidente da Federarroz.
O plantio do arroz no Rio Grande do Sul deve se estender até novembro.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Colheita de trigo
Agricultores do município gaúcho de Santa Rosa, que temem prejuízos com temporais previstos para os próximos dias, trabalham durante a noite na lavoura.
É época da colheita do trigo no Rio Grande do Sul. As máquinas estão no campo para tirar o grão o mais cedo possível. Muitos agricultores temem que os temporais previstos para os próximos dias prejudiquem a safra. Na região de Santa Rosa, no noroeste do Estado, o trabalho segue noite adentro.
O trabalho na lavoura começa logo que o sol aparece. Normalmente as máquinas param no entardecer, mas esta semana os agricultores colheram o trigo até durante a noite.
“A gente está acelerando o máximo a colheita para ver se consegue tirar o que está maduro”, disse o agricultor Lauro Ridel.
Todo o esforço é para aproveitar o tempo seco e colher a safra que até então é uma das melhores dos últimos anos. Se o clima ajudar, a média deste ano no Estado deve ser superior há 40 sacas por hectare. No ano passado foi de 30 sacas. A qualidade do grão também é considerada boa. Mas o excesso de chuva pode reverter a situação.
"A chuva sempre é um transtorno e o trigo nessa fase de colheita, quando chove, perde rapidamente a sua qualidade, principalmente o chamado PH que interfere depois no processo de panificação, ou seja, às vezes a chuva ativa enzimas que prejudicam a panificação”, explicou o agrônomo Sérgio Schneider.
No Estado, em torno de 20% das lavouras foram colhidas. Por causa do esforço, a região de Santa Rosa colheu 40%.
O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor nacional de trigo. Só fica atrás do Paraná.
FONTE: Globo Rural
